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Alergias: quais são os riscos em procedimentos odontológicos?

As alergias são reações do sistema imunológico resultantes da hipersensibilidade de nosso organismo. Quando expostos, podemos sofrer todo tipo de alergias, se tivermos predisposição para isto. As possibilidades são muitas e dentre elas podemos destacar àquelas a que estamos sujeitos em consultórios odontológicos.

A incidência é relativamente rara, mas pode ocorrer e só por isto, precisamos conhecer os riscos oferecidos. Segundo o Conselho Federal de Odontologia – CFO,  as reações são pouco comuns, podendo ser desencadeadas pelo uso de diversos materiais utilizados na prática clínica, como os evidenciadores de placa, os branqueadores dentais, a aplicação tópica de flúor, o látex das luvas e os elásticos ortodônticos, o creme dental, as resinas acrílicas e as compostas, ligas metálicas presentes nos acessórios e fios nos tratamentos ortodônticos e, principalmente, as decorrentes da prescrição medicamentosa de analgésicos, anti-inflamatórios, antimicrobianos, anticoagulantes, anestésicos locais entre outros.

Para conhecermos mais, entrevistamos a cirurgiã-dentista Dra. Yasmin Ziad Ismail que nos falou sobre as alergias.

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RMA – No dia a dia de sua clínica, qual a incidência de alergias em seus pacientes e quais são as mais comuns?

Nos dias de hoje aumentou muito a incidência de manifestações alérgicas em pacientes, de todas as idades. Há poucos estudos especializados com este tema, o que torna mais difícil sua mensuração e avaliação. O que se sabe com certeza é que ocorrem, cada vez em maior número, até pela ampliação do acesso ao atendimento nas mais diversas classes sociais.

RMA – Há uma classificação de incidência ou de gravidade destas alergias?

No que se refere a reações, elas podem ser imediatas (alguns minutos), semi-imediatas (algumas horas), retardadas (alguns dias). Estas manifestações podem ser de ordem cutânea (urticária, eczemas, angioedema), respiratório (renite alérgica, aspergilose, crise de asmas), ocular (conjuntivite, eczema de pálpebras, blefarite), e digestiva (edema de glote e outras ocorrências diversas).

As alergias podem ser de origem genética, de aumento da atividade industrial (empregos e exposição à substâncias), uso de antibióticos e vacinas, bem como a popularização de medidas de higiene em excesso o que podem ocasionar resistências e baixa imunidade.

No entanto este tema deve ser abordado com bastante critério e cuidado. O cirurgião-dentista  deverá determinar  a necessidade de encaminhamento do paciente ao médico alergologista ou outro profissional da área, caso haja exposição do paciente com alguma sustância alergênica.

RMA – Quais os tipos de alergia mais comuns?

As alergias mais comuns são alimentares, corantes, medicamentos, insetos, látex, produtos de cosméticos e inalatória. No ambiente do consultório, os processos alergênicos podem compreender uma gama maior de produtos, tais como: resinas, metais, látex, iodo etc. Há também a possibilidade de intoxicação por flúor, embora esta não seja uma substância alergênica. Um dos mais frequentes envolve o uso do metilparabeno presente no anestésico local.

O metilparabeno é uma substância química, utilizada como conservante de  alimentos, de cosméticos  e medicamentos. Ela está presente nos alimentos enlatados, como atum, sardinha, ervilha, milho, creme dental, entre outros. E, está presente no anestésico local usado pelo dentista, mas é muito baixa a incidência de alergia de anestésico. Segundo a literatura apenas 1℅ da população possui alergia dessa substância. Para evitar riscos o cirurgião-dentista tem que realizar um bom exame clínico investigativo de alergias.

 

RMA – Quais são os sinais que apontam para um quadro alérgico?

Existem vários. O paciente pode apresentar manifestações cutâneas, renite, conjuntivite, dores de cabeça, choque anafilático entre outros, dependendo qual foi o agente causador da alergia.

RMA – Quais procedimentos são utilizados para verificar a existência de alergias?

Através da anamnese, ou seja, de um conjunto de perguntas que o profissional realiza com o paciente, na primeira consulta. Elas abordam o histórico médico do paciente, familiar, se fuma, se bebe, uso de substâncias psicotrópicas, se teve alergias anteriores, medicamentos utilizados e em alguns casos exames laboratoriais para sua verificação.

Depende se o paciente já teve reação alérgica.  Se o paciente tem histórico de alergia e ele não sabe informar a qual anestésico tem alergia, o cirurgião-dentista deve encaminhar ao alergista/infectologista para realização de teste alérgico, preconizando antes do atendimento, o uso de anti-histamínico (antialérgico) e após atendimento para evitar choque anafilático. Importante salientar que alguns pacientes alérgicos a látex (borracha da luva), apresentam reações que podem ser confundidas com alergia à anestesia local.

RMA – Para pacientes alérgicos, como funciona a higienização e o compartilhamento dos instrumentos odontológicos?

A higienização é a mesma e não interfere na alergia e, sim, o tipo de material/medicamento utilizado de escolha.

RMA – Qual a sua avaliação final sobre os quadros alérgicos e suas consequências?

É importante registrar que o cirurgião-dentista tem uma gama enorme de produtos alternativos que podem ser escolhidos conforme a necessidade do paciente. Por exemplo, existem luvas que não são confeccionadas com látex, e usam outros processos e materiais. No caso dos anestésicos existe uma variedade de produtos disponibilizados pela indústria farmacêutica e que permitem escolhas seguras para os mais diversos tipos de casos.


Fonte: Redação Mundo Alérgico
Imagem: Redação / Cirurgiã-dentista Yasmin Ziad Ismail, CROPR 23634, Bacharela em Odontologia pela FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas, São Paulo – SP. yasmin.ziad.ismail@gmail.com

 

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