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Remédios manipulados ajudam no tratamento de alérgicos e intolerantes

A manipulação de remédios é um importante aliado na prevenção e no tratamento de alergias, intolerâncias e sensibilidade ao glúten. Somente quem é portador de uma dessas condições, sabe da necessidade de se precaver contra a ingestão de substâncias que desencadearão sintomas leves até quadros de grande gravidade.

Para entendermos melhor como funciona a manipulação de remédios, conversamos com a farmacêutica Nathly Xavier que nos explicou os benefícios e a forma que os medicamentos são apresentados, bem como os cuidados que um bom serviço deve ter, no fornecimento dos medicamentos e na assistência ao paciente.

RMA – Quais são os principais benefícios do uso de remédios manipulados?

NX – Os medicamentos manipulados diferente dos industrializados, apresentam uma fórmula única. Assim um dos principais benefícios quando se trata de medicamentos manipulados, é a personalização e individualidade da formulação para cada tipo de paciente. Resultando em uma melhor adaptação e resposta ao tratamento.

Outros benefícios quando se trata de medicamentos manipulados são:

Custo benefício, visto que o medicamento será preparado ao paciente em quantidades e doses exatas, sem ocorrer sobras ou desperdícios. Diminui-se assim o custo do tratamento, além de possibilitar a associação de substâncias que tratam necessidades diferentes em uma mesma formulação, facilitando a adesão do paciente ao tratamento.

 

RMA – Quais os formatos de apresentação dos medicamentos manipulados?

NX – As formas farmacêuticas podem ser classificadas em:

 

a) Líquidas:

Suspensão: Preparações líquidas que contém o princípio ativo em partículas finamente divididas e distribuídas em um veículo onde o fármaco apresenta uma mínima solubilidade.

Solução: Uma ou mais substâncias dissolvidas em solvente ou mistura de solventes miscíveis entre si.

Emulsões: Dispersões de duas fases de uma mistura não miscível entre si.

 

b) Semissólidas:

Cremes: Formulações com excipientes emulsivos (óleo/água ou água/óleo), para uso externo.

Pomadas: Preparações de consistência pegajosa e macia, monofásica, e de uso externo.

Pastas: Preparações compostas por pós finamente dispersos, sendo mais firmes e espessos que as pomadas e menos gordurosas.

 

c) Sólidas:

Cápsulas: Formas compostas por um envoltório comestível, que normalmente são à base de gelatina.

Drágeas: Formas farmacêuticas em que o princípio ativo está em um invólucro constituído por diversas substâncias, como resinas, gelatinas, gomas, açúcares etc.

Comprimidos: Preparações sólidas obtidas pela compressão de princípios ativos secos.

Grânulos: Preparações que apresentam formato de grãos ou grânulos irregulares.

Supositórios e óvulos: Formas farmacêuticas para aplicação retal e vaginal, respectivamente. São usados em substituição à via oral, no caso de lesão na mucosa do trato gastrointestinal ou quando o paciente apresenta quadro de vômito ou dificuldade de deglutição.

: Preparações para uso externo e interno. São compostos por uma mistura de fármacos finamente divididos e secos.

 

RMA – Para os pacientes alérgicos ou intolerantes a uma determinada substância, como é manipulado o medicamento para evitar desconfortos ou reações danosas?

NX – A manipulação para pacientes com alguma intolerância ou alergia é realizada de forma individual conforme o quadro do paciente.

As formulações para pessoas alérgicas a corantes são adaptadas para cápsulas incolores, xaropes ou outras formas farmacêuticas onde não será acrescentada corante em sua formulação.

Já em casos de pacientes diabéticos, em sua formulação não será adicionado açúcar, substituindo por outros ativos como, por exemplo, o sorbitol, ou até mesmo podendo ser retirado de sua formulação.

 

 

RMA – Da mesma forma, a sensibilidade ao glúten é evitada de que forma na manipulação?

NX – O glúten é usado em muitos medicamentos como excipiente, que é o complemento que dá cor, estabilidade e forma ao medicamento, tanto em cápsulas, como em comprimidos ou suspensões orais. Neste caso podemos contornar substituindo o tipo do excipiente como, por exemplo, pelo Celulomax, o qual atende todos os requisitos, que além de estabilizar os efeitos farmacológicos, não utiliza nenhuma substância como glúten, lactose, soja, entre outros.  Além da troca do excipiente poderá ser realizada a troca de cápsulas de origem animal (ex. Gelatinas) por cápsulas de origem vegetal que são livres de glúten e conservantes.

 

RMA – A intolerância à lactose é contornada de que forma na manipulação dos medicamentos?

NX – Assim como no caso do glúten, a lactose também está presente em diferentes excipientes utilizados na manipulação. Entretanto, várias pessoas apresentam problemas relacionados à lactose, e casos de intolerância são bastante comuns até mesmo em baixas dosagens. Através disso, podemos afirmar que as farmácias de manipulação são de extrema importância na personalização do medicamento, pois as adaptações das formulações possibilitam uma melhor adesão terapêutica.

 

 

RMA – A confiabilidade e credibilidade na manipulação dos medicamentos foi obtida através de uma legislação bem rigorosa no país. A RDC 67/2007 da Anvisa é uma delas. Existem outras e quais as mais relevantes?

NX – A principal legislação quando se trata de farmácia de manipulação ainda se aplica a RDC 67/2007, a qual dispõe os requisitos mínimos exigidos para o exercício das atividades de manipulação de preparações magistrais* e oficinais* das farmácias.

Não existem dados estatísticos concretos que demonstrem a evolução da qualidade das preparações magistrais no Brasil. Entretanto, analisando a sua participação no mercado podemos concluir que está crescendo de forma bem satisfatória, visto que se atende de forma eficaz, segura e individual

 


(*) – Outras denominações da manipulação de medicamentos.


Nathly Xavier é Farmacêutica com registro no CRF-PR nº 26.895


Fonte: RMA
Imagem: RMA

 

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